Perdida No (Des)Conhecido

Este será o ano em que farei vinte anos e aqui estou eu, a deambular entre almas perdidas e escondidas que procuram encontrarem-se e mostrarem-se mas que não há coragem para tal. Sinto-me inerte mesmo continuando, inapta de descobrir aquilo que me parece fazer falta. Não sei como manter-me coerente neste mundo de inconscientes e desconhecedores humanos que preferem praticar a maldade e serem impiedosos com quem algo de diferente tem. Perdi algo e não sei o quê. O meu espelho parece fragmentado, não reflectindo com precisão o que sinto. A desordem instalou-se no meu ser, deixando-me desorientada, sem saber que rumo tomar. Até agora apenas tinhas uma escolha a fazer e, de repente, com tantas hipóteses que podem definir o meu futuro, estou presa entre a racionalidade e a irracionalidade, entre o que é certo e o menos certo. De certa forma, até o menos certo se torna correto, dependendo do ponto de vista. Tenho de seguir a minha intuição mas ela não clarifica o que é necessário fazer. Tenho de fazer o que me parece bem mas nada parece bem suficiente porque me sinto num impasse mental e sentimental. O que me vai na alma está turvo e sinto que limpar a sujidade de nada iria resultar. Há uma voz, uma força desconhecida que me diz para continuar mesmo que não saiba o que fazer mas de que adianta se sinto que estou a perder tempo valioso? Inspiro e expiro, tento concentrar-me no que o meu espírito diz mas há demasiado alvoroço e atividade para ouvir apenas uma única coisa. Após este tempo todo e a pensar que iria saber o que fazer quando fosse mais crescida e estou mais perdida e exposta a todos os níveis porque a minha perspetiva alargou. Honestamente, nunca pensei chegar aos dezoito anos e ultrapassei essa meta. Percebi que, afinal, consigo coisas que nunca pensei conseguir e, de algum modo, isso assustou-me e abriu-me a novas experiências emocionalmente esgotantes, de uma maneira boa e má. Quando antes pensava que tudo ia dar errado e não me importava, agora tenho uma pequena esperança que me diz que talvez as coisas não dêem errado. Ainda assim, o facto de me deixar iludir e acabar por dar tudo para o torto deixa-me instável porque agora tenho algo a perder. Não há como me perder se nunca me encontrei realmente, mas perderia o pouco que me encontrei.

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