✿ coração partido.


Pergunto-me quantas pessoas viram o título e acharam que eu ia falar sobre quão o meu coração está partido por causa do amor. Engraçado como quando lemos "coração partido", a nossa mente viaja logo para aquela pessoa que nos magoou. É normal. A mente tende a lembrar-se mais facilmente de momentos tristes do que os momentos em que nos sentimos felizes. 
No entanto, não é desse coração partido que quero escrever hoje.
Imaginem a vossa mão a tapar o sol - se estiver fechada bloqueia os raios de luz atingir os vossos olhos. Imaginem, agora, os vossos dedos a separarem-se devagarinho. A luz começa a atingir o vosso rosto, iluminando. O sol, a luz, é isto que nos permite ver tudo. Quando o coração está inteiro, não permite que a luz atravesse para assegurar luminosidade dentro de nós mas quando se parte, entra um brilho, uma claridade que pode ser boa.
O que estou a tentar dizer é que não é totalmente mau quando o nosso coração se parte. Com isto não estou a dizer que devemos deixar os outros nos magoar - não. Estou a dizer que nós podemos deixar que entre um pouco mais de luz ao se ser vulnerável. Tornou-se tão raro ver alguém vulnerável, bondoso e capaz de mostrar o que pensa e sente realmente, capaz de sentir realmente porque é visto como ser-se fraco. Eu acho que é uma maneira muito corajosa de se mostrar que está vivo.
Está-se a perder noção dos sentimentos, da humanidade que devia existir dentro de nós. O mundo tornou-se tão rápido que acaba por ser difícil aceitar e compreender o que verdadeiramente se passa ao nosso redor. Os dias vão passando sem se viver totalmente. Eu sou culpada disto, às vezes. Acabo por perder mais tempo a preocupar-me com universidade e o meu futuro indeciso do que respirar e apreciar o que tenho. Fico a esconder-me do mundo porque tenho medo que possa ser demasiado honesta e, consequentemente, magoada. Ao mesmo tempo, apago esse pensamento e liberto a minha mente e o meu coração porque é a melhor maneira de se ligar a outras pessoas.
Admito que sou demasiado sensível, às vezes. Eu sinto demasiado todas as palavras que me são ditas  e ações que são feitas sendo que pode ser uma benção como pode ser uma maldição. Vivo tudo muito intensamente - coisas boas ou más. Acaba por ser esgotante porque o meu humor varia durante o dia, ou passo semanas a sentir-me negativa e outras semanas a sentir-me positiva. Começo a chorar por ver a desumanidade que existe no ser humano e choro por ver o quão bom o ser humano pode ser.
Sempre o tentei negar vulnerabilidade e fazê-la desaparecer mas só piorei a situação já que guardava tudo e transformava-se num conflito interno que não tinha forças para domar. Sempre tentei não falar do que me chateava, do que me magoada, do que me fazia feliz, do que me inspirava porque era uma forma de as pessoas me atacarem. Alguém saber usar a tua vulnerabilidade contra ti é uma dor que se torna insuportável porque, além de teres confiado nessa pessoa, ela usou algo de ti contra ti. Até que percebi que as pessoas só te podem magoar se tu deixares. Se eu aceitar quem sou, se me aceitar como sou, não podem usar tal tópico para me atingir. E aceitei-me.
Eu sinto e, ainda que muitas vezes desejasse não sentir, ainda bem que assim é. Não mudaria a minha sensibilidade porque ela define-me e define a maneira como interajo com as pessoas. Consigo sentir quando estão mal, sinto o que sentem ao ponto de o seu humor atingir o meu. Conecto-me com as pessoas mais intensamente porque me deixo ser vulnerável.

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