✒ somos mesmo não sabendo.

        Eu tenho uma visão peculiar de como o ser humano funciona: somos quase como que um computador e temos todos os defeitos e qualidades exibidas no nosso ser, uma grande lista de todas estas características humanas que nos definem como diferentes. Para mim não existe uma pessoa completamente boa, assim como não existe alguém totalmente mau. O que varia entre cada um de nós são as percentagens desses atributos: há quem possua mais teimosia e há quem tenha mais simpatia; há quem consiga ter mais liderança e há quem precise de um líder; há quem tenha mais bondade do que maldade. É natural haver essas divergências - nascemos com elas ou podemos desenvolvê-las, até. É algo entranhado dentro de nós que existe, mesmo que se demore anos a descobrir.
        No entanto, há uma tendência um tanto involuntária e quase inata no ser humano de se desvalorizar. Criou-se esta ideia em que só quando os outros valorizam o que somos é que se torna evidente que realmente somos. E aconteceu-me isso. Acontece-me isso, muitas vezes. É como se eu não me reconhecesse até alguém vir quem sou. Esta ideia de que o meu valor é definido pelos outros porque, caso contrário, não sou nem existo. Há sempre este conceito de amor próprio que aparece apenas quando alguém nos ama. Houve alturas em que eu só me sentia bem quando os outros me faziam sentir bem, quando me valorizavam. Não vou mentir, por muito que eu queira, às vezes não é possível completar a minha necessidade de me apreciarem e fazerem-me sentir bem comigo mesma.
        A culpa não é deles, não. A culpa é minha. A culpa é minha por colocar a minha felicidade e bem estar na mão das outras pessoas. Não posso permitir que eu apenas esteja consideravelmente bem quando terceiros me fazem melhor. Não me interpretem mal, é claro que pessoas que eu gosto vão conseguir fazer-me sentir melhor. No entanto, não têm de o fazer sempre, não têm de o fazer como se fosse uma obrigação deles. Esperava sempre que fossem os meus amigos a trazer positividade para a minha vida quando não trabalhava para o fazer eu mesma.
        Eu tenho de conseguir saber como melhorar o meu dia por mim mesma porque, no final do dia, só posso contar comigo a 100%. Soa egoísta, eu sei, mas acaba por ser uma forma de amor próprio, a longo termo. É claro que tenho amigos que me apoiam e ajudam sempre que preciso, um namorado maravilhoso que me faz sorrir sempre que preciso ou nem sei que preciso. Ainda assim, não posso depender sempre deles visto que não faz bem nem para eles, nem para mim. Tive de aprender que não podia simplesmente esperar que me entregassem a chave para o meu contentamento porque essa chave tem de vir de dentro de mim para mim. 

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