✒ despersonalização personalizada a mim.

São sete e quarenta e três da tarde. 
O meu corpo pede qualquer tipo de ajuda para o relaxar, mas recuso. Preciso de continuar a esforçar-me para dar orgulho. Preciso de continuar para conseguir ter o que quero, para obter satisfação no meu futuro. Passo o corredor e, ainda que a porta pareça perto enquanto ando, parece ficar longe. Não é um sonho, é esse o problema. Estou a percorrer o corredor da minha casa, mas a minha mente prega-me partidas ao fazer-me ver algo irreal.
Continuo a andar. 
A minha mente não me deixa focar na realidade, apenas quer vaguear pelo quão falso tudo parece. Esta vida, o que é ela? A minha verdade é tão diferente da verdade de alguém. Aquilo que eu vivo e sinto é compartilhado por várias pessoas e, ao mesmo tempo, não. 
Não sei explicar; às vezes cresce um vazio que me atormenta durante semanas. A minha existência parece ser tão banal comparado com o tamanho do mundo. Honestamente, o quão importante sou eu e os meus problemas? Esta realidade, aquela na qual existo, vivo e penso é estranha. Há dias que sinto a sair fora de mim mesma, como se a minha alma flutuasse pelo universo, a gravidade não me deixa pousar os pés no chão e eu nem sequer tento para o fazer. Uma despersonalização tão grande acontece que acabo por esquecer quem sou e a situação em que estou para simplesmente maravilhar algo tão abstrato como o poder do infinito. 
Não sei como acabar isto, não sei como acabar com este sentimento esquisito de nostalgia por algo que não existe materialmente. Ou talvez nem quero que acabe. Talvez seja esta a maneira que eu arranjei para me sentir melhor com as indecisões que me foram impostas. 
Ou talvez não.

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