Acordar à hora que o meu cérebro decidiu. Não ter preocupações. Não ter de despachar-me para ir trabalhar ou para demorar uma hora de ida para a universidade. Poder ficar mais uns minutos na cama a imaginar coisas que a minha mente decidiu criar - aquilo que normalmente só faço enquanto tento dormir, mas que tive tempo de fazer de manhã. Poder respirar livremente sem que não sinta o ar a ficar preso na minha garganta ao lembrar-me de mil e uma obrigações que tenho listadas na minha agenda.
           Acabei a licenciatura. Definitivamente. Todas as cadeiras feitas, com muitas lágrimas e noites mal dormidas a pensar nas coisas que podia ter feito melhor. Parece que foi ontem que chorava por não ter entrado na primeira fase, nem na segunda, e hoje choro por ter acabado. Valeu a pena todas as lágrimas, todos os pensamentos de que não era boa o suficiente para estar na universidade, todos os quero-desistir, todos os de-que-adianta-todo-este-esforço. Literalmente, um peso saido dos ombros. Livre da pressão que sentia de ser boa todos os dias - por uns tempos, pelo menos.
           Foram três anos de misturas, de descobrimentos, de desilusões, de bons acontecimentos, de introspeção, de aventuras, de saídas da minha zona de conforto, de boas pessoas. Honestamente, não me arrependo de nada, nem evitava nada. Foram três LONGOS anos e sinto que perdi um pedaço porque, realmente, perdi. Era a realidade que eu conhecia e agora já não tenho essa constante na minha vida. E agora o medo volta por causa da incerteza, mas é um medo bom, é um medo de avanço,  um medo de esperança.
           Fui praxada e praxei (brincadeira, apareci a 10 praxes, se tanto), morri e ressuscitei, aprendi e ensinei e mais nada quero do que continuar então, mestrado, espero que me aceites porque eu já aceitei a ideia de te ter por mais dois anos. Cada fotografia abaixo representa uma parte, ainda que não se perceba bem qual. São pequenos pedaços que consegui imortalizar até certo ponto e que trarei comigo sempre.
           Obrigada. A tudo, a todos.

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3 anos.

☂ 3 anos.

by on junho 21, 2018
           Acordar à hora que o meu cérebro decidiu. Não ter preocupações. Não ter de despachar-me para ir trabalhar ou para demorar uma ...
Há um sabor agro-doce na minha boca que não sei explicar de onde veio. Eu não como há horas e, no entanto, ele está presente. Um novo nível está prestes a terminar. Não vou esconder - é assustador e, ao mesmo tempo, libertador. Honestamente, eu não sei exatamente o que escrever hoje porque ainda não estou em mim. Não sei como me sentir, apenas sinto-me. É um sentimento estranho, se é que é um sentimento de todo. É uma mistura de emoções e não as consigo identificar. Não adianta perguntarem-me porque estou assim ou para contar como me sinto porque eu não sei e não saber faz-me sentir uma maluquinha dentro da minha própria cabeça. 
Tenho medo de admitir que tenho esperança porque não quero que dê azar, não quero criar expectativas para não me desiludir. Como faço com tudo na minha vida: sou pessimista para não me iludir com sonhos que podem acabar mal. É a minha maneira de lidar com desapontamentos. Talvez não seja o mais correto, mas é a única maneira que encontrei. 
Há uma vontade de simplesmente avançar até à parte boa da vida, em que tenho tudo calculado e aquilo que idealizo. Viver num incógnito é tão esmagadoramente impressionante. Pode correr bem, como pode correr mal e existe coisas que não se pode controlar, pode-se apenas vivê-las e seguir em frente. 
De alguma maneira, fica um certo prazer de não saber o que se vai passar. Aquela pequena motivação e desejo de desafiar o mundo e as tuas próprias crenças de ti mesma, aquela vontade de ir mais além. O que te impede além de ti mesma?
Talvez não seja o fim, talvez seja só um novo começo, como todas as outras etapas. Não que o fim tenha de ser definitivo, mas o fim desta fase boa não significa que a próxima não seja igualmente boa. Não sei e não há mal nenhum em não saber.